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O Rio das almas e as ruínas do garimpo de ouro do sec. XVIII em Pirenópolis

  • Foto do escritor: Tatiane Di Passos
    Tatiane Di Passos
  • 4 de ago. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 20 de mar. de 2021

“Toda a história da formação de Pirenópolis, as igrejas, os casarões foram feitas em função dessas atividades econômicas. Os originais garimpos das minas da “Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte”, como a cidade era chamada. Os escravos vieram para essa região, fizeram esse trabalho todo, o garimpo, e justamente esse ouro que manteve, a base econômica de Pirenópolis no séc. XVIII. O ouro tirado do “Rio das Almas”, está diretamente ligado ao nascimento da cidade e da manutenção da cidade histórica”, relata o publicitário, pesquisador e guia turístico de Pirenópolis, Mauro Cruz.

Uma extensa faixa de ruínas de pedras e calçamentos assentados por escravos. Vestígios que afloram em trechos ao longo do Rio das Almas. Um trecho de uns 800 metros com arvores do cerrado como jatobá, animais, trilhas com cipós, com uma flora exótica e as ruínas.


Breve história

Segundo Mauro, a vinda dos portugueses em busca do ouro em goiás, foi um período que representa todo início da formação da cidade de Pirenópolis, “Toda a história cultural pirenopolina, tem a ver com esse período, os bandeirantes descobriram o ouro, conhecido como o sertão dos índios goyazes, famoso por ter terrenos difíceis de chegar, com índios bravos. Na busca por riquezas, tiveram guerras com os índios, até que viram ouro em suas vestes e então foram obrigados a contar onde estavam o ouro. Há relatos, de que os portugueses ameaçaram colocar fogo em tudo, foi então que passou a ser chamado as “minas do sertão dos índios goya”, governado pela capitania de são Paulo”, conta Mauro, que tem como referência para as pesquisas, o geólogo Jamilo Thomé, autor do projeto geoparque, onde as minas de ouro são considerados geositios do geoparque. Uma das pesquisas de Jamilo, há relatos de que o ouro estava misturado na pedra, e que não acharam o veio do ouro. “ Jamilo diz que a erosão do morro, o tempo desgastava a pedra, e a enxurrada levava material para o fundo do vale, o ouro é um metal pesado, então a tendência era de ficar no fundo dos poços, nas curvas de rio e no fundo dos vales. O terreno era chamado de “alivião”, que é um cascalho grosso, de sedimento que deposita no fundo do vale, são quarztos, que vieram rolando, e vai arrendodando, por isso o nome, pedra seicho rolado, ou no termo do minerador, de pedra “Carrola”, essa pedra misturada com outros sedimentos e vai para o fundo do rio” pontua Mauro Cruz.

Pirenopolis é cercada por serras, o ouro de aluvião era pesado e transportado, ficava no fundo do vale. Os escravos derrubaram a mata, desviam a agua do rio, e faziam canais. O ouro de aluvião era bastante superficial e abundante. “O processo de lavar era com bastante agua, lavaram o ouro todinho. São conglomerados solidificados, onde o rio já passou em lugares diferentes, senão tivesse agua, não tinha ouro”, relata Mauro.

As ruinas representam o século XVIII, a igreja, os casarões coloniais, a cidade foi tombada como patrimônio, por manter elementos desse período, toda a história cultural tem a ver com esse período, o que fez os portugueses virem para cá foi a mineração. A mão de obra escrava, os regos, os muros de arrima, os calçamentos antigos que eram feitos com o pé de moleque. Mauro Cruz é um dos líderes do turismo cultural, e acredita que precisa ser feito decretos que protejam as ruinas como patrimônio histórico e cultural.

“Buscar a sensibilização para a proteção desse patrimônio, como a conservação das arvores, como Sucupira, jatobá. Visitas ar ruinas é surpreendente, as lavra do ouro estão bem preservadas”

Museu Lavras de Ouro

Trilha dentro da mata ciliar, com mais de 500 metros, arvores do cerrado como jatobá, sucupira, angico, animais e as belas esverdeadas ruinas, que depois da mineração, o proprietário Hamilton preservou a floresta que nasceu no local. O belo rio das Almas, com poços de 3 a 4 metros, para banho e nadar como o poço da laje. As Lajes de quartzito, um passeio em torno do rio, com pontas de Pedras que demarcavam áreas, plantas nativas, são 4 alqueires só de margem de rio e ruinas.

O museu lavras de ouro tem peças utilizadas pelo garimpo da época, é um refúgio ambiental, que mantem a importância da conservação das arvores e principalmente das ruinas. Hamilton afirma que até hoje tem vestígios da curva de nível que trazia a agua para garimpar. Paredes de pedras feitos pela mão de obra escrava, que iam lavando e acumulando num ponto, para não desabar faziam um muro, chamado Muro de arrimo, que protegia o material lavado, aproveitando o lixo da pedreira que e o quartzito, sobra do engenho, o pé de moleque. “Toda a extensão da trilha tem a pedra seixo rolado, famosa em paisagismo de jardins e cascatas. Os mistérios das flora exótica do cerrado, como a folha que parece os rins, a folha “Congonha” para tomar agua, pedras em formatos de poltrona. Este passeio é uma expedição nas ruinas do garimpo de ouro do século XVIII”, ressalva Hamilton.

Refúgio Avalon

O refúgio Avalon, em Pirenópolis, também é um espaço, onde há ruínas e que tem como frente o turismo cultural, com guias que contam as histórias, e busca sensibilizar o turista sobre a importância de manter vivo estes vestígios históricos, muros lindos, com uma vegetação característica e preservada.

O caseiro Divino Lima, há 14 anos no Avalon, conduz grupos há um passeio com aula de história nas ruínas. Histórias como a planta “navalha de batalha”, uma folha que chega cortar. A história da Cascalheira do garimpo, uma área com um sitio histórico geológico, que era o antigo garimpo de ouro do século XIX. “O Avalon está bem preservado, as ruinas do Avalon, com canais, muros, e cascalheiras. A beleza das ruínas está ligada a esta história geológica que remonta ao primeiro século da colonização portuguesa. O Avalon oferece um jardim sensorial com plantas medicinais, cachoeira, fauna e flora do cerrado e a estrutura do passeio dentro das ruínas, somos uma referência no turismo em Pirenópolis”, pontua Divino.

Potencial da região dos Pireneus

Manter conservado a memória histórica da ocupação do seculo 18 nas lavras antigas, desde as cachoeiras a geodiversidade da serra dos Pireneus, a qualidade das águas. De acordo, com o geólogo Tadeu Veiga, que trabalha com exploração mineral e planos de pesquisa ligado a conservação ambiental, a região de Pirenópolis, na produção de ouro começou do século 18 e foi o grande motivo da colonização portuguesas e espanhóis, que começaram de ouro de aluvião. Tadeu que trabalhou em pesquisas de bens minerais diversos, planos de manejo de unidades de conservação do cerrado, tanto na busca pela existência de ouro, quanto na tentativa de organizar a lavra de quartzito. Como também atrativos turísticos, nas áreas protegidas, com reservas particulares de patrimônio cultural, como a RPPN do Vagafogo, pioneira na região, ressalta a importância de manter viva as marcas das lavras dos primórdios da ocupação do séc. XVIII. “Precisamos reconhecer que as mesmas pessoas envolvidas nessas lavras, foram os que edificaram a cidade, as igrejas, e trouxeram os costumes para Pirenópolis. Por exemplo, a festa do Divino que neste ano de 2018, completa 200 anos. Se essas construções e esses costumes estão preservados e enchem os olhos dos moradores e o turista, então é justo que também preservamos o que deu origem, que são os vestígios das lavras de ouro. A mineração foi o motivo da colonização do território. Esse tipo de atrativo geológico, histórico e turístico está acontecendo no mundo inteiro”, fortalece Tadeu, defensor do tombamento das ruínas.



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© 2020 por Tatiane Di Passos. Orgulhosamente criado com Wix.com

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