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Caminho de Cora Coralina: Um encontro com o homem do cerrado

  • Foto do escritor: Tatiane Di Passos
    Tatiane Di Passos
  • 4 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de mar. de 2021

“O goiano tem um jeito muito receptivo. Este homem do cerrado é um ser contemplativo, não degrada a natureza, sabe receber as pessoas, sabe falar de um canto do pássaro ou de uma flor do cerrado”, foi como o historiador Paulo Bertran descreveu o homem cerratense em um dos seus livros “Histórias da terra e do homem no planalto central”.






E foi com essa intenção de valorizar a cultura goiana que surgiu o “O caminho de Cora Coralina”, com ponto de partida em Corumbá com o fim do trajeto na Cidade de Goiás. O projeto inciou em 2013, onde o Pesquisador Bismarque Villa Real, foi convidado a criar uma ideia de roteiro temático, por definição para passar por cidades históricas. A estrada dá por volta de 180 km e contempla cinco cidade importantes na formação do estado, Corumbá de Goiás, Pirenópolis, Jaraguá, cidade de Goiás e no caminho também temos São Francisco com fundação de 1740, incorporada no trajeto. A partir do momento que o caminho foi tendo esse desenvolvimento, o grupo foi a campo para o levantamento, onde fiquei responsável pela pesquisa de campo, baseado em um conteúdo histórico que estava trabalhando, e a minha relação com Paulo Bertran. Andei muito com ele, uma referência como pesquisador do cerrado”, afirma Bismarque trabalhou em vários projetos, como a Estrada Colonial no Planalto Central.

Autores como Yves Saint Laurent, Paul, contribuíram para o levantamento, mas o principal documento que o pesquisador se baseou para pra definir esse traçado foi um diário de viagem, escrito em 1777, pelo Cunha Menezes, que foi governador do estado, que veio de salvador para cidade de Goiás em lombo de mula, onde levou 44 dias e fez um diário de viagem bastante rico, a partir dos relatos é possível ir atrás do lugar que ele passou, cita nomes de fazendas, de rios, cidades, “ muitas referências que ele cita, ainda existe, como Fazenda Estaca, em Jaraguá, Rio das Pedras, Corumbá, Pirenópolis. Além de outros documentos como o relatório da Missão Cruz, que foi entre 1892 e 1894, onde mapearam todos esses caminhos, que passaram por essas estradas, como o Pico dos Pireneus é o segundo ponto mais alto de Goiás com 1385 metros.

O Caminho de Cora passa por três parques estaduais, o Parque dos Pireneus, a Serra de Jaraguá e a Serra Dourada na Cidade de Goiás. Para Bismarque a atividade turística redefine os usos dos caminhos, agenciando histórias, memórias e tradições, oportunizando o conhecimento sobre a diversidade das formas de expressão cultural. São trechos que abrigam importantes sítios históricos e que traduzem em apreciação e vivência de importantes traços da cultura, tanto para os membros de um povoado em geral, quanto para os visitantes.

“A escolha do nome “Caminho de Cora Coralina” tem a ver com outro conteúdo, o Caminho é Poético, a ideia é que seja oferecido esse conteúdo para quem está passando de bike ou a pé, poder parar para o descanso e ter uma poesia de Cora para se inspirar, se inserir. A Cora Coralina escreveu sobre a região, sobre a vida, os caminhos que tem começo mais não tem fim”, poetisa o pesquisador.

Placas dos poemas de cora estão sendo instaladas ao longo do caminho. Há o Comparativo como o Caminho de Santiago, com trechos separados por características especificas. “São mais de vinte igrejas ao longo do caminho, para o peregrino que quer trabalhar o lado religioso. O caminho é poético, arqueológico, foi definido pela riqueza de historias, entroncamento de estradas. Como a histórica Fazenda Babilônia, que foi uma referência na exportação de algodão para a Europa. O caminho não passa pela fazenda e sim nas proximidades. A ideia e facilitar a valorização dos trechos, dos povoados, são oito, belos e isolados” relata Bismarque.

O caminho possui rotas que podem ser feitas de acordo com a sua preferência e disponibilidade, você começa e termina aonde quiser. Pode ser feito a pé, bike, a cavalo. O peregrino que completa o caminho até a Cidade de Goiás terá um selo de reconhecimento. Para o pesquisador uma das rotas mais populares é ir ao ponto mais alto do caminho e o segundo do estado de Goiás, o Pico dos Pireneus, que pela geografia, o caminhante sai da bacia do Prata e entra na Bacia Araguaia Tocantins. “É a oportunidade de cruzar o divisor continental de aguas, o maior da América. Umas das extremidades está no Distrito Federal e a outra nos Andes. Há como ir desde Brasília até os Andes, passando pelas nascentes do rios, por cima das serras. O Pico dos Pireneus se localiza neste divisor”, ressalta Villa Real.

No caminho da sustentabilidade o projeto contempla a ideia de fazer esse um grande corredor ecológico, estimulando o plantio de arvores, rotas temáticas, como a rota do Ipês e arvores frutíferas. “O caminho só se desenvolve na medida que aja uma apropriação por parte dos municípios, dos proprietários que se envolve. A riqueza das festas populares, só em Pirenópolis são mais de cinquenta, no caso as cavalhadas, tem em todas essas cidades, a folia rural, integrar os caminhos, como sair de Jaraguá para ir PARA Trindade, onde um bom trecho passa pelo Caminho de Cora, por ser um caminho antigo. E os guias potencializarem os atrativos dos povoados, valorizarem as riquezas das região, com passeios de pequeno a longos trechos.”

 
 
 

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© 2020 por Tatiane Di Passos. Orgulhosamente criado com Wix.com

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